John Cooper revela abuso em igreja e crise que inspirou novo EP do Skillet
John Cooper, do Skillet, relata abuso espiritual, depressão e crise de fé que influenciaram as músicas do novo EP After the Storm
John Cooper, vocalista e baixista do Skillet, revelou detalhes de uma experiência traumática envolvendo a igreja que frequentou durante quase três décadas e afirmou que o período de abuso espiritual, depressão e crise de confiança teve influência direta na criação de After the Storm, novo EP da banda.
Em entrevista ao The Christian Post, Cooper contou que os últimos anos foram alguns dos períodos mais difíceis de sua vida. Segundo o músico, ele, sua esposa Korey Cooper e os filhos passaram por um conflito com a liderança da congregação que a família frequentava havia aproximadamente 30 anos.
De acordo com o relato do cantor, o relacionamento com a igreja se deteriorou à medida que ele passou a questionar determinados ensinamentos relacionados à autoridade espiritual. Cooper afirmou que a situação evoluiu para um ambiente que considerava extremamente controlador e que sua família acabou sendo afastada da comunidade que ajudou a construir ao longo de décadas.
John Cooper diz que viveu período de abuso espiritual
Cooper afirmou que líderes da igreja teriam ostracizado sua família e feito acusações contra ele e Korey. Segundo o músico, durante aproximadamente dois anos houve declarações e insinuações de que o casal estaria sendo usado pelo diabo e teria comprometido sua fé.
Para o vocalista do Skillet, o impacto da situação foi muito além da perda de amizades e do afastamento da congregação. Ele relatou que passou a questionar a própria capacidade de distinguir o que era verdade do que poderia ser manipulação.
O músico descreveu a antiga congregação como um ambiente de alto controle, no qual questionar a autoridade da liderança teria se tornado cada vez mais difícil. A experiência, segundo Cooper, abalou sua confiança e afetou profundamente sua relação com a própria fé.
“Foi uma época muito sombria”, relatou o cantor na entrevista, ao descrever o período em que enfrentou uma depressão profunda e aquilo que classificou como um colapso mental.
Cooper também contou que chegou a ter dificuldades para orar e interpretar as Escrituras durante a fase mais complicada do conflito. Em vez de formular suas próprias orações, passou a recorrer a orações históricas de diferentes tradições cristãs.
A crise de Cooper influenciou o novo EP do Skillet
A experiência pessoal de John Cooper acabou se transformando em material para o novo trabalho do Skillet. Intitulado After the Storm, o EP terá seis músicas e está programado para chegar ao público em 9 de outubro de 2026.
O projeto foi produzido por David Cowell e Korey Cooper e apresenta temas como sofrimento, traição, perda, perseverança e esperança. Entre as músicas já apresentadas estão Scream e Lift Me Up.
Embora as experiências vividas pelo vocalista tenham servido como combustível emocional para a produção, Cooper ressaltou que não pretende que After the Storm seja interpretado apenas como um relato sobre sua antiga igreja.
A proposta, segundo ele, é transformar a dor pessoal em músicas que possam dialogar com pessoas enfrentando diferentes tipos de dificuldades. Depressão, ansiedade, vícios, problemas familiares e outras situações de sofrimento aparecem como possíveis pontos de identificação para os ouvintes.
O próprio título do EP representa essa perspectiva. Para Cooper, a ideia de existir uma “vida depois da tempestade” está ligada à esperança de que períodos de sofrimento não precisam determinar o restante da trajetória de uma pessoa.
“Scream” e “Lift Me Up” representam lados diferentes do projeto
As duas músicas já divulgadas ajudam a apresentar a proposta emocional de After the Storm. Scream explora sentimentos de dor, frustração, isolamento e a sensação de não ser ouvido.
Já Lift Me Up apresenta uma abordagem mais voltada à resistência e à esperança. A faixa representa a tentativa de continuar avançando mesmo quando as circunstâncias parecem difíceis de superar.
Essa combinação entre desespero e esperança é um dos elementos centrais do novo trabalho. Cooper explicou que o objetivo não é esconder a existência da dor, mas mostrar que ela pode coexistir com a fé e com a possibilidade de recuperação.
John Cooper fala sobre perdão após o conflito
Durante o período mais intenso da crise, Cooper disse que precisou lidar com uma raiva profunda contra as pessoas que, segundo seu relato, haviam causado sofrimento à sua família.
O cantor afirmou que passou a pedir a Deus ajuda para controlar a própria raiva e, principalmente, para conseguir perdoar aqueles que o haviam ferido. Ele ressaltou, entretanto, que perdoar não significa necessariamente reconstruir uma relação de confiança.
Cooper afirmou que não pretende retomar o relacionamento com os antigos líderes porque ainda não os considera pessoas confiáveis. Para ele, o perdão está relacionado a abandonar o desejo de vingança, e não necessariamente à reconciliação com quem causou o dano.
Experiência mudou a visão de Cooper sobre pessoas feridas por igrejas
O episódio também modificou a maneira como John Cooper encara pessoas que abandonam ou questionam sua fé depois de experiências negativas dentro de igrejas.
Conhecido por suas críticas à chamada desconstrução da fé, o vocalista afirmou que passou a compreender melhor aqueles que enfrentam uma crise religiosa depois de sofrerem abusos espirituais.
Cooper declarou que pessoas que foram expulsas de congregações, tiveram suas perguntas rejeitadas por líderes ou sofreram algum tipo de abuso dentro de uma comunidade religiosa merecem ter suas histórias ouvidas.
Apesar disso, o cantor afirmou que sua própria fé cristã permaneceu intacta. Em sua visão, a experiência serviu para reforçar sua compreensão sobre a necessidade de distinguir a autoridade de líderes religiosos da autoridade das Escrituras.
John Cooper e a discussão sobre autoridade religiosa
Segundo Cooper, os problemas começaram a se intensificar por volta de 2019 e 2020, período em que ele passou a estudar teologia com maior profundidade e a falar mais abertamente sobre questões consideradas controversas dentro do cristianismo.
O cantor também destacou sua crescente defesa da sola scriptura, princípio associado à tradição protestante segundo o qual as Escrituras possuem autoridade máxima para a fé cristã.
Na avaliação de Cooper, líderes religiosos podem exercer autoridade sobre uma comunidade, mas essa autoridade não deveria impedir que seus ensinamentos sejam questionados ou confrontados à luz da Bíblia.
Ele também argumentou que problemas relacionados ao abuso de autoridade espiritual não estão restritos a uma denominação específica e podem aparecer em diferentes tradições cristãs.
Skillet vive nova fase antes de After the Storm
A chegada de After the Storm acontece durante um período de forte atividade para o Skillet. A banda, formada em Memphis, Tennessee, está próxima de completar três décadas de carreira e continua alcançando uma nova geração de fãs.
Atualmente, o grupo registra mais de 12 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Monster, um dos maiores sucessos da carreira do Skillet, ultrapassou a marca de 5 bilhões de reproduções globais e possui certificação de seis vezes platina.
O grupo também se prepara para a turnê Comatose: 20 Years, Still Screaming Tour, que celebra os 20 anos do álbum Comatose, lançado originalmente em 2006.
Para Cooper, o interesse renovado pelo rock também está relacionado à busca do público por músicas que abordem emoções mais difíceis e experiências reais. Na visão do músico, o gênero oferece espaço para falar sobre raiva, isolamento, sofrimento e sensação de não pertencimento.
É justamente nesse contexto que After the Storm pretende se posicionar. O EP não ignora os momentos mais sombrios vividos por Cooper, mas procura transformá-los em uma mensagem de perseverança.
“Há vida depois da tempestade”, resumiu o vocalista ao falar sobre a mensagem que espera transmitir com o novo projeto.
After the Storm será lançado pelo Skillet em 9 de outubro de 2026.
Fonte: The Christian Post